sábado, 30 de abril de 2016

Livros Escolhidos

Clube de Leitura


Existem outros livros que poderão ser estudados de forma complementar ou opcional.

Livro 1: Mulheres que correm com os lobos


Livro 2: Além do Herói


Livro 3: O Homem Integral



Bibliografia Complementar:

1. As deusas e a mulher: nova psicologia das mulheres - Jean Shimoda Bolen
2. A deusa interior: um guia sobre os eternos mitos femininos que moldam nossas vidas -
Jennifer Barker Woolger e Roger J. Woolger

3.Trilogia Johnson
a)  She: a chave do entendimento da psicologia feminina - Robert A. Johnson
b)  He - a chave do entendimento da psicologia masculino - Robert A. Johnson
c)  We: a chave da psicologia do amor romântico - Robert A. Johnson

4. Série Psicológica da Joana de Ângelis, psicografada por Divaldo Pereira Franco.

http://www.redeamigoespirita.com.br/group/reformantima/page/s-rie-psicol-gica-joanna-de-ngelis


quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Se desejar escreva ....

Perfil das Deusas

Um resumo



Quase totalidade da criação se dá entre seres complementares: feminino e masculino. A complementaridade/dualidade é presente também em outros aspectos da natureza, como dia e noite, bem e mal, o uno e o múltiplo, a essência e a aparência, nascimento e morte, yin e yang, positivo e negativo, espírito e matéria, etc.




Com as divindades não poderia ser diferente. Os deuses e deusas surgem como mitos, personificações e arquétipos que estão presentes em toda civilização para explicar, modelar, contar sobre a nossa vida em suas expressões ideais, idealizadas e quer queiramos ou não, servem como lógica - logus a dar coerência e transcendência aos horizontes tanto do passado como do presente e do futuro.




Das deusas, nos interessam de perto Atena – sabedoria e justiça, Hera – casamento e relações humanas, Héstia - lar, Deméter - maternidade, Perséfone- vida e morte, Ártemis - natureza e Afrodite- o amor; que possuem símbolos, sofrimentos e superações que são comuns a todas nós.


1. Introdução

 

A civilização ocidental herdou grande parte de sua cultura da Grécia Antiga, ou seja, do mundo grego, que incluía, além da península grega, várias cidades do litoral do Mediterrâneo até partes da Ásia e África. Outra parte se deve à cultura judaica, legada por Moises, cuja história é mais recente que as dos deuses gregos, e foi narrada na Torá e no Antigo Testamento. A partir daí, temos as duas fontes principais donde emanam a cultura ocidental: a cultura grega e a judaica. 

Dos gregos temos a religião politeísta narrada nos cantos épicos homéricos no período aproximado do século XII a.C. até ao séc. VII a.C. Nesse período, na grande região grega, tínhamos uma sociedade agrícola, pastoril e patriarcal. Passa-se a ter maior comércio e segue-se uma sociedade citatina ou urbana. É na pólis: cidade ou estado, que se reúnem os moradores –cidadãos - e organizam-se politicamente, formando as regras da sociedade, as leis e costumes, de modo diferente do campo. Nesse período onde a técnica (calendários, alfabeto, comércio e riqueza) passa a predominar, a cultura e as explicações de como funciona o mundo vão se modificando e abandonando as tradições religiosas. Para os pensadores da época, elas passam a ter um apenas um caráter religioso, pois, outras explicações para origem do cosmos e das leis, se firmam em observações e explicações diferentes, baseadas na tradição. No século VII a.C. e seguintes, surge o que chamamos hoje de Filosofia, baseado nas novas explicações que, sucessivamente, vão elaborando os pensadores como Pitágoras na cidade de Samos, Thales, em Mileto, e em outras cidades que passam a formar a Magna Grécia.

Como explica Marilena Chauí: “O filósofo Aristóteles afirmará que a riqueza e a existência dos escravos liberaram os gregos da fadiga e da pena do trabalho e dos negócios, dando-lhes o ócio indispensável para a vida contemplativa, isto é, para Filosofia. ” Assim através de vários filósofos, além dos citados, como Anaximandro, Heráclito, Zenão, Demócrito, Parmênides, até chegarmos aos expoentes de Sócrates, Platão e Aristóteles, foi se formando o nosso conhecimento que não era apenas a prática de saber fazer algo, mas sim refletir sobre algo.


Ainda entre os filósofos destaco Xenófanes, que critica a religião baseada na teogonia. “As suas críticas à religião não tinham como objetivo um ataque pleno à dita mas, dar ao divino uma pura e elevada ideia: o verdadeiro deus é único, com poder absoluto, clarividência perfeita, justiça infalível, majestade imóvel; que em pouco se assemelha aos deuses homéricos” Ver Wikipedia [1]


Novamente em Marilena Chauí encontramos: “ O mito recebe da filosofia a forma lógica, enquanto a Filosofia recebe do mito os conteúdos que precisam ser repensados. ”
Assim sendo a filosofia, decididamente, desprendeu-se do caráter religioso, organizando e formando o arcabouço do conhecimento humano no mundo ocidental.
Nesse período, não tínhamos escolas como as que temos hoje. Os pensadores se reuniam, discutiam e tinham adeptos e seguidores ou opositores. Assim a escola de Platão foi a Academia, num jardim de Atenas, a de Aristóteles foi o Liceu, também em Atenas, que já possuía uma estrutura mais próxima com o que conhecemos hoje por escola.
Isso mostra num instante, simplificadamente, a influência da cultura Grega.




A cultura judaica começa com Abraão, que nasceu na Caldéia, uma região da Mesopotâmia, que também possuía diversos deuses e deusas, um dos berços da civilização humana. Abraão recebe a missão de procurar a terra sagrada - Canaã, onde sua família e seguidores poderiam cultuar um deus único, diferente de todos os deuses conhecidos por eles. Abraão teve um longo percurso até chegar ao Egito e depois de vários episódios se estabelece em Hebron- atual Israel. Abraão teve um filho com Hagar (uma escrava) que se chamou Ismael e outro com Sara (sua esposa) que foi Isaque. De Ismael descenderam os ismaelitas, os árabes, e de Isaque os israelitas, os judeus. Mais tarde os descendentes de Jacó, filho de Isaque e Rebeca, que geraram várias tribos, foram escravizados no Egito até que Moisés os libertou e regressaram a Canaã. Moises recebe de YHWH como Deus – o único - os cinco livros principais da Torá: Gênesis, Êxodos, Levítico, Números e Deuteronômio. Outros foram acrescidos, no conjunto hoje chamado de Antigo Testamento. Assim, para esses povos criou-se o Monoteísmo, em contrapartida de outras partes do mundo de então que era essencialmente politeísta. Todos esses fatos são dados pela própria Bíblia e mais outros fatos históricos provenientes de outras fontes.

Na a China, Índia, e no grande continente americano, desconhecido dos povos da Europa e Ásia, existem diversas culturas e religiões diferentes das vistas e, igualmente, ricas em conteúdos simbólicos.

Os ensinamentos judaicos foram disseminados pelo mundo como Monoteísmo, embora tivéssemos outras fontes que também admitiam a existência de um Deus único e criador de todo universo ou cosmos, como os egípcios (com Aknaton) ou mesmo os gregos. Muitas coisas aconteceram ao povo judeu que ainda não conseguira uma estabilidade numa região como nação autônoma.
Novos ensinamentos são necessários a todos, judeus e não judeus.


Nasce, entre os judeus da Palestina, uma província dominada pelos romanos, aquele que veio complementar e corrigir os costumes da época – o Cristo. Ele passa a ensinar, tanto o que Moisés havia pregado, como também outras coisas e práticas que se destacaram da doutrina, ensinada até então. Cristo foi crucificado e seus seguidores continuaram a espalhar o que chamavam de Boa Nova ou seja, – o evangelho. A partir do século III DC, o Cristianismo, que era proscrito pelo mundo greco-romano, passa a ser parte do estado romano e difunde-se por todo mediterrâneo, Europa, partes da Ásia, India e da África. O Cristianismo herda muito do Judaísmo e esse do politeísmo, e, acrescenta, aos velhos textos sagrados, os novos ensinamentos, que foram também transmitidos, oralmente, além dos escritos pelos evangelistas.
Com esse brevíssimo panorama da nossa civilização, voltamos aos tempos de onde surgiram os mitos, os deuses e deusas para explicar, modelar e principalmente inspirar uma caminhada que não prescinde das explicações da cultura atual, mas que procura saber suas origens.

1.1 Deuses e deusas gregas

  
A origem dos deuses e deusas gregas é contada em duas principais fontes: (1) os poemas épicos Ilíada e Odisseia (atribuídos a Homero) (2) a Teogonia e Os Trabalhos e os Dias (produzidos por Hesíodo). Os deuses estão agrupados em 3 gerações.
Na primeira temos Caos, Gaia, Tártaro, Ponto, Nix e Érebos. Algumas fontes incluem Eros.
Na segunda temos Titãs, Titânides, Cíclopes, Hecatonquiros, etc.
Na terceira geração temos vários filhos de casais que unem: Céos e Febe, Oceâno e Tétis, até os filhos de Reia e Cronos. Desse último casal surgem os deuses olímpicos, que habitam o Olimpo, e entre eles Zeus, o rei dos deuses. A lista completa é imensa.
Na genealogia grega há ainda os heróis, as ninfas, os gigantes e os intermediários entre os deuses e os humanos. A figura a seguir, mostra um esquema da genealogia desses deuses.




Ver outra figura completa em [5]
Aqui já podemos ver que culturalmente, são sempre citados em primeiro plano os seres masculinos, pois todo o arcabouço era patriarcal. Contudo a base da criação é solidamente dual: masculino e feminino sempre interagindo.
Tal não acontece mais após o advento do Cristianismo, no qual a presença masculina e totalmente predominante.



1.2 Deusas gregas e as mulheres 

Segundo o livro A Deusa Interior de Jennifer/ Roger Woolger [3], temos como mitos/modelos principais, as 6 deusas gregas: Atena, Hera, Deméter, Ártemis, Perséfone e Afrodite. Essa autora trabalha com as deusas em díades, isto é, em duplas, como pares de opostos formando a roda das deusas, um esquema com as deusas da seguinte forma:



Cada uma das deusas está associada a uma esfera de ação predominante.



 1.2.1 Breves notas sobre as deusas gregas

Atena



“É também conhecida como Palas Atena é, na mitologia grega, a deusa da guerra, da civilização, da sabedoria, da estratégia em batalha, das artes, da justiça e da habilidade”. Corresponde, na mitologia romana, a Minerva. ”
“A mulher do tipo predominante Atena, busca a realização profissional numa carreira, envolvendo-se com educação, cultura intelectual, justiça social e com política”.
É a deusa do pensamento, intelecto, da razão, filha de Zeus e Tétis- primeira esposa de Zeus, a deusa da astúcia. Nasce diretamente (partenogênese – virgem + nascimento) da cabeça de Zeus, por isso, é a filha preferida e se manteve sem casar ou ter amantes. Era considerada mais poderosa do que o próprio Ares – deus da guerra. Como está ao lado do pai, e não cresceu com a mãe que fora engolida por Zeus, é considerada como uma conservadora, mas justa. Seus símbolos são a coruja, a espada, oliveiras, armadura e elmo.



Hera:


 
“Na religião grega, é a deusa das bodas, da maternidade, do céu e das esposas, equivalente de Juno na religião romana. Irmã e esposa de Zeus, é a rainha dos deuses, e patrona da fidelidade conjugal. ”
Ela se ocupa do casamento, da convivência com os homens, e, sempre que as mulheres são líderes governamentais, de questões ligadas ao poder. ”
Hera, filha de Cronos e Reia, é também irmã de Zeus, que teve várias outras relações. Os símbolos são o leão real, cuco ou falcão ou também a fênix.

        Deméter:

 
Deusa da terra cultivada, das colheitas e das estações do ano. É propiciadora do trigo, planta símbolo da civilização. Ligando-se à agricultura, fez várias e longas viagens com Dionísio ensinando os homens a cuidarem da terra e das plantações. Em Roma, onde se chamava Ceres, seu festival era chamado Cereália, sendo celebrado na primavera. ” Junto com Perséfone presidia os mistérios de Elêusis, cidade próxima de Atenas, onde havia as iniciações de sacerdotisas às demais deusas agrícolas.
Ela também é filha de Cronos e Reia, irmã de Zeus, com quem teve uma filha, Persófone. Além disso teve como parceiros outros deuses e mortais.
Ela é a verdadeira mãe-terra, que gosta de estar grávida, de amamentar e cuidar de crianças; está relacionada com todos os aspectos do nascimento e com os ciclos reprodutivos da mulher. ”
Na primeira geração também temos Gaia que é a Terra, em si.

Ártemis


“É uma deusa virgem da mitologia grega ligada à vida selvagem e à caça. Ela era filha de Zeus e de Leto (uma titã), irmã gêmea de Apolo; mais tarde, também, tornou-se, associada à lua e à magia. Ela era a deusa grega da lua, caça, animais selvagens, região selvagem, parto, virgindade e protetora das meninas, trazendo alívio para as mulheres, muitas vezes ela foi descrita como uma caçadora, era companheira de Órion, o caçador, carregando um arco e flechas. Era acompanhada pelo cervo e o cipreste que eram símbolos sagrados para ela. “
A mulher do tipo Ártemis, é prática, atlética, aventureira, aprecia a cultura física, a solidão, a vida ao ar livre e os animais; dedica-se a proteção do meio-ambiente, aos estilos de vida alternativos e às comunidades de mulheres.
 
Perséfone



É a deusa das ervas e chás, flores, frutos e perfumes. É filha de Zeus e Deméter, a deusa das estações anuais e feminilidade. ” Foi raptada por seu tio Hades, com consentimento de Zeus e contra a vontade de sua mãe Deméter, mas Perséfone, apesar disso, o aceitou e tornou-se deusa e rainha do mundo avernal. Há várias estórias com os demais relacionamentos de Perséfone, entre eles com Dionísio. É também a deusa da boa morte.
A mulher do tipo Perséfone, é mediúnica e atraída pelo mundo espiritual, pelo oculto, pelas experiências místicas e visionárias, e pelas questões ligadas à morte. “

Afrodite.



É a deusa do amor, da beleza e da sexualidade na religião grega. Outros atributos incluem: fertilidade, o prazer e alegria. Historicamente, seu culto na Grécia Antiga foi importado da Ásia, influenciado pelo culto de Astarte, na Fenícia, e de sua cognata, a deusa Ishtar dos acádios. Teve vários relacionamentos com Hefesto, Ares, Adônis, entre outros, cada um dos quais ricos em vários elementos simbólicos.
Existem duas origens para Afrodite: (1) como filha de Zeus e Leto e outra como tendo nascido da espuma dos órgãos genitais de Cronos, que foram cortados e atirados ao mar por Uranus. Vários historiadores falam de Afrodite Urânia, nascida da espuma do mar pelo órgãos genitais de Cronos; e (2) Afrodite Pandemos – de todo o mundo- nascida de Zeus e Dione.
A mulher desse tipo, está voltada principalmente para os relacionamentos humanos, sexualidade, intriga, romance, beleza e inspiração das artes. “
Segundo Jean Shinoda Bolen, no livro As Deusas e a Mulher, temos 7 deusas a considerar. As 6 anteriores e mais a deusa Héstia.

Héstia



          “É a deusa virgem do lar, lareira, arquitetura, vida doméstica, família e estado. É uma deusa que recusou o casamento, mesmo tendo sido cortejada e Zeus permitiu que seus votos fossem mantidos, e recebesse as honras em cada casa.
“Sempre fixa e imutável, Héstia simbolizava a perenidade da civilização. ”
Jean Shinoda usa também o fato das deusas: Atena, Héstia e Ártemis serem virgens, como deusas não vulneráveis ao passo que as deusas Hera, Perséfone e Deméter são vulneráveis, pois foram deusas raptadas, humilhadas e dominadas pelos deuses. Já Afrodite, não é nem vulnerável nem invulnerável e sim, considerada alquímica e às vezes, vulnerável. Nesse livro temos o seguinte quadro:

Quadro 1:Deusas olímpicas e características




Deusa
Categoria
Função arquetípica
Comentários
Ártemis (Diana)
Deusa da caça e da lua
Deusa virgem
Irmã
Competidora
Feminista
Companheiras (ninfas)
Mãe: Leto /Pai: Zeus
Irmã gêmea de Apolo
Atena (Minerva)
Deusa da Inteligência e da
Arte
Deusa Virgem
“Filha do Pai”
Estrategista
Sem mãe
Pai: Zeus/ mãe: Metis
(engolida por Zeus)
Escolhe os heróis
Héstia (Vesta)
Deusa da lareira e do templo
Deusa Virgem
Solteira
Mulher sábia
Filha de Cronos e Reia
Nenhum
(às vezes, faz par com Hermes)
Filha de Cronos e Reia
Hera (Juno)
Rainha dos Céus
Deusa do casamento
Vulnerável
Esposa
Fiel aos compromissos
Casada com Zeus (irmão)
Sofreu várias traições
Filha de Cronos e Reia
Demeter (Ceres)
Deusa do Cereal
Vulnerável
Mãe
Nutridora
Foi casada
 com Zeus (irmão)
Filha de Cronos e Reia
sofreu estupro
Filha é Perséfone
Perséfone (Proserpina)
Jovem Rainha do Inferno
Vulnerável
“Filha da mãe”
Mulher receptiva
Filha de Demeter
Filha de Cronos e Reia
Raptada e casada com Hades ( Deus dos Infernos)
Afrodite (Vênus)
Deusa do amor e da
Beleza
Vulnerável
Alquímica
Amante
Mulher sensual
Mulher criativa
Filha de Zeus e Dione  ou
Nascida da espuma do mar
Casada com Hefesto (deus do metal)
Vários amantes e filhos



Quadro 2: Tipos psicológicos das deusas




Deusa
Tipos psicológicos junguianos
Dificuldades psicológicas
Forças/Habilidades
Ártemis
Normalmente extrovertida
Normalmente intuitiva
Normalmente carinhosa
Distância emocional,
Crueldade, rancor
No estabelecimento e realização
dos objetivos, independência, autonomia; amizade com mulheres.
Atena
Normalmente extrovertida.
Definitivamente reflexiva.
Normalmente sensível.
Distância emocional
Astúcia, carente de empatia
De pensar corretamente, resolver problemas práticos e fazer estratégias;
Forma alianças sólidas com homens.

Héstia
Definitivamente introvertida
Normalmente sensível
Normalmente intuitiva
Distância emocional,
Carência social.
De apreciar a solidão;
de ser espiritualmente criativa.
Hera
Normalmente extrovertida.
Normalmente carinhosa.
Normalmente sensível.
Ciumenta, vingativa, rancorosa.
Inabilidade de abandonar um relacionamento destrutivo.
De manter compromissos
assumidos durante toda vida,
fidelidade.
Demeter
Normalmente extrovertida
Normalmente carinhosa
Depressiva, desgastada,
Dependente como agente de nutrição, gravidez não planejada.
Ser maternal e nutridora de outros, generosidade
Perséfone
Normalmente introvertida
Normalmente sensível
Depressiva, manipuladora,
Voltada para o fantasioso.
Ser receptiva, de apreciar imaginação ou sonho; potencial para habilidades psíquicas.
Afrodite
Definitivamente extrovertida
Relacionamentos sucessivos, promiscuidade, dificuldade em considerar as consequências
Apreciar o prazer e a beleza, de ser sensual e criativa.
 
 

1.2.2 Outras deusas e mitos



Saindo do mundo europeu e seus domínios, temos o vasto continente americano e grande parte do continente africano e também grande parte da Ásia e Ásia Menor e Austrália e Índia.
Nesses lugares de tantas culturas diferentes, às vezes consideradas não civilizadas, (entende-se a civilização organizada nas cidades e dentro do patriarcado ocidental) temos uma infinidade de outros mitos que consistem uma gama tão variada ou mais que os mitos gregos.
Temos a religião antiga egípcia, nórdica ou germânica, viking ou escandinava, a inca, etc. que deixaram marcas profundas em vários povos.
O hinduísmo é a cultura mais antiga que perdura até aos dias de hoje, enquanto que as demais se perderam ou são cultuadas através de sincretismos ou tem um pequeno número de adeptos.
Ainda hoje a religião hindu, que perdura desde a pré-história, diferentemente das demais, não possui um chefe supremo ou um só livro sagrado.
Segundo Dr. Devdutt Pattanaik, em a Handbook of Hindu Mythology  temos:

Hindus have one Gog.
They also have 330 million gods, male gods, female gods, personal gods, family gods, household gods, gods of space and time, gods for specific castes and particular professions, gods who reside in trees, in animals, in minerals, in geometrical patterns and in man-made objects.
Then there are whole hosts of demons.
But, no Devil.
Podemos traduzir por:
Hindus têm um Deus
Eles têm também 330 milhões de deuses masculinos e deusas femininas, deuses pessoais, e familiares, da casa e do lar, do espaço e tempo, deuses para castas específicas e profissões em particular, deuses que residem em árvores, em animais, em minerais, nas formas geométricas e em objetos feitos pelo homem.
Então eles possuem vários demônios- espíritos maus.
Mas, nenhum Diabo.

        Temos a trimurti ou trindade masculina, com Brahma força criadora ativa do universo, Vishnu – responsável pela manutenção do universo e Shiva, pela transformação ou destruição.
Na tridevi ou trindade feminina temos Saraswati – deusa da sabedoria, Lakshmi é a deusa da beleza, fartura e generosidade e Parvati ou Shakti é uma deusa mais complexa e possui uma parte benigna e outra mais sombria associada com Durga e outras.
Todos os deuses possuem suas esposas, tornando o conjunto dos deuses em equilíbrio análogo ao da natureza.


2. Mitos e Arquétipos


As religiões gregas baseadas nos deuses/mitos não existem mais, mas continuamos a estudá-los, devido sua influência na cultura e nas próprias religiões atuais. Hoje, os mitos não constituem razões para explicar os diversos fenômenos e acontecimentos que não possuíam uma causa lógica ou histórica, o que era nos primórdios. Por exemplo, a primavera era explicada pela permissão dada à Perséfone, por Hades, voltar à terra, quando tudo floria e reproduzia. Enquanto ela ficava no inferno, tínhamos o inverno e outono. Hoje, os mitos não fazem mais parte do modo de ver ou explicar o mundo. Mas, (há sempre um mas...) damos as mãos ao que ainda é incognoscível e está gravado em nós, culturalmente através dos arquétipos, ou ainda através das nossas vidas passadas. E o historiador Pierre Grimal, diz:
O mito se opõe ao logos como a fantasia à razão, como a palavra que narra à palavra que demonstra. Logos e mito são as duas metades da linguagem, duas funções igualmente fundamentais da vida do espírito. O logos, sendo uma argumentação, pretende convencer. O logos é verdadeiro, no caso de ser justo e conforme à 'lógica'; é falso quando dissimula alguma burla secreta (sofisma). Mas o mito tem por finalidade apenas a si mesmo. Acredita-se ou não nele, conforme a própria vontade, mediante um ato de fé, caso pareça 'belo' ou verossímil, ou simplesmente porque se quer acreditar. O mito, assim, atrai em torno de si toda a parcela do irracional existente no pensamento humano; por sua própria natureza, é aparentado à arte, em todas as suas criações. [8]
        Ainda há outras opiniões e conceitos.
Para Mircea Elíade, “O mito conta uma história sagrada, quer dizer, um acontecimento primordial que teve lugar no começo do Tempo. Mas contar uma história sagrada equivale a revelar um mistério, pois os personagens do mito não são seres humanos: são deuses ou Heróis civilizadores. ”[6]
Tanto os mitos como heróis influenciam os contos e lendas ancestrais. Todos eles possuem uma tarefa ligada com a “moral da estória”; para servir de explicação, ou criar um modelo que seja adaptador para a vida em sociedade.
Assim desde o início da cultura do século XI a.C., no mundo ocidental, vamos formando a nossa história cultural com elementos masculinos a predominarem no mundo.
Justamente, aqui entra a necessidade de escutarmos outros contos e mitos que nos tragam de volta ao mundo primitivo, onde tínhamos um contato mais direto com a natureza. E aqui que entra o estudo do livro Mulheres que correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés.
Se, no século XX, Freud e Young usaram os mitos e arquétipos gregos para explicar/exemplificar as nuances e doenças da alma, e a partir daí, sugerir meios de cura pela catarse ou conscientização, agora Clarissa usa os contos de outros naipes para curar as almas femininas dos excessos da nossa civilização. Não fosse, pela seriedade e pelos resultados, seria apenas mais uma brincadeira, mais estórias, que entram por uma porta e saem por outra...ou entram em nossa alma e ficam latentes até que cantemos a canção da La Loba, e então podemos correr aliviadas para o encontro com nosso self.