domingo, 23 de agosto de 2015

Sobre o Ler


Era uma vez um tempo que poucos, muito poucos sabiam ler. As vezes penso que esse tempo está voltando. Os que sabiam ler e escrever eram tão raros, tão raros que até houve reis que não sabiam ler. A leitura e escrita passou a ser comum na história da humanidade há poucos séculos. Desenvolveu-se um cultura oral e visual até ao final da idade média. Sem dúvida a cultura oral é muito rica e perdura até hoje. E, justamente, pela cultura oral que vamos entrar no nosso clube no paraíso dos contos e mitos.
Hoje os índices de analfabetismo diminuem rapidamente no Brasil e no mundo, mas, na minha opinião, o advento da televisão e do audiovisual fez retroceder a capacidade de leitura e escrita de modo mais efetivo. Mas isso é outra estória.

1. Sobre a atividade de Ler
-- "Quem se puser a decifrar um manuscrito, cujo significado lhe interessar, tampouco menosprezará os sinais e as letras, qualificando-os de ilusão, de casualidade, de invólucro vil, senão os lerá, estudá-los-á, amá-los-á, letra por letra. Eu porém, que almejava ler o livro do mundo e o livro da minha própria essência, desprezei os sinais e as letras, em prol de um significado que lhes atribuía de antemão.
Chamei de ilusão o mundo dos fenômenos. Considerei meus olhos e minha língua apenas aparentes, casuais, desprovidos de valor. Ora, isso passou. Despertei. Despertei de fato. Nasci somente hoje."

Em Sidarta de Hermann Hesse

Para ele, além de ler e escrever foi preciso jejuar.

Se os que sabem ler e escrever são poucos, o que se dirá dos que jejuam. Eu não consigo jejuar nem um dia. E seria tão bom. Principalmente quando tantos são obesos e tantos outros são famintos.

2.Os livros não mudam o mundo. Quem muda o mundo são as pessoas. Os livros só mudam as pessoas.
Mário Quintana.

Sem comentários

3.“Espíritas, amai-vos! Este o primeiro ensinamento; Instruí-vos, este o segundo”.

 Allan Kardec

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Outros contos de fada e mitos.


A partir da era vitoriana, segundo alguns, os contos de fada tornaram-se mais populares. Como grande exemplo temos os contos dos irmãos Grimm. Foram reunidos mais de 200 contos. As fábulas também desempenham papel importante nessa literatura.
Aqui não vamos nos dedicar a esses contos como Os músicos e Bremen, O flautista Hamelin, A Branca de Neve, A bela Adormecida e muitos outros, pois a literatura existente sobre eles é imensa e, em geral, vai exatamente no sentido oposto ao que se deseja buscar neste clube de Leitura, isto é, as fontes que nos ligam à natureza, ao selvagem e e espiritual.

Esses outros contos clássicos são, sem dúvida, importantes e sobre eles podemos fazer outro clube de Leitura.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Funcionamento


Como nosso objetivo é estudar podemos usar guias de leitura para realizar a tarefa.

Podemos encontrar vários tipos de guias:

1. Universidade de Coimbra
http://www4.fe.uc.pt/fontes/restos/fichas_de_leitura.htm

2. Clube de Leituras
http://www.clubedaleitura.com/clubes/como-organizar-um-clube/

Esses ou algum outro pode ser utilizado. Contudo, devido à natureza dos livros e a nossa finalidade, podemos ler os livros a partir do que mais nos interessar, em primeiro lugar, partindo, é claro, da introdução geral deles, principalmente para aquelas que não leram nenhuma vez esses livros.

Para o primeiro livro: MCL temos um blog que já fornece um resumo ais estendido;

3. Blog: Mulheres em Círculo
http://mulheresemcirculo-luz.blogspot.com.br/p/matilha.html

Uma proposta de ficha/anotações


 Podemos simplificar o nossos registros, respondendo às seguintes perguntas:

I. Qual ou quais ensinamentos principais dos contos/ do capítulo?
II. Como isso pode mudar nosso comportamento?
III. O que já tenho de facilidades para lidar com esses ensinamentos?
IV. Quais as dificuldades?
V. Tenho uma vivência relacionada com os contos?
VI. Que outros contos são associados com os apresentados?


Regra de Ouro: 


Que isso seja um estudo e daí um trabalho e uma vez cumprido, seja também um prazer e pedra de toque para nossas mudanças.

Resumos

1. Mulheres que correm com os lobos

A autora, analisa 19 contos e lendas, agrupados em 15 capítulos, para aprofundar seus significados mais profundos e, a partir daí, buscar subsídios para ajudar no desenvolvimento feminino que passa atualmente por tantas modificações, algumas radicais e outras que ainda apenas engatinham.

Os contos são:
La loba - mulher lobo: o que devemos procurar - a indestrutível força da vida
Os 4 rabinos: com coragem, mas sem cinismo e imprudência
O Barba Azul: é um antagonista ... sua única função é transformar todas encruzilhadas em ruas sem saída.
Vasalisa, a sabida: a intuição é o tesouro da psique da mulher.
Manawee : o parceiroo homem que advinha as duas naturezas do feminino.
Mulher-esqueleto: encarando a natureza da vida-morte-vida do amor.
O patinho feio:  a procura de nossa turma: a sensação de integração como uma benção
O zigoto errado: por que nasci numa família tão estranha
Os sapatinhos vermelhos:a preservação do self : a identificação de armadilhas, arapucas e iscas envenenadas.
Pele de foca: a volta ao lar: retorno ao próprio self.
La lhorona: águas claras, o sustento da vida criativa.
A menininha dos fósforos: afugentando a fantasia criativa.
Os três cabelos de ouro: o cabelo simboliza o pensamento, aquilo que emana da cabeça e podem conduzir à iniciativa.
As deusas sujas: o cio: a sexualidade sagrada em 3 pequenos contos
O urso da meia-lua: a demarcação do território: os limites da raiva e do perdão.
As árvores ressecadas: contos sobre a raiva .
Descansos: estágios do perdão.
A mulher dos cabelos de ouro: marcas de combate: a participação no clã das cicatrizes.
A donzela sem mãos: iniciação na floresta subterrânea.

2. Além do Herói

De forma mais ou menos similar o autor também analisa os contos com heróis para os homens em busca da alma e de quebra para que também possamos saber o que eles querem, espiritualmente, falando.

O rei feiticeiro: pai/filho, herói/patriarca
O lenço do sultão: a iniciação dos homens no feminino
As orelhas do rei: a sombra do patriarca
O pequeno camponês: a sombra do malandro
O rei e o espírito mau: o mestre malandro
Irmão Lustig 1: o irmão espírito
Irmão Lustig 2: Parsifal revisitado.

3. O Homem Integral

Em cada um dos contos dos dois livros, há um modelo a ser seguido, de acordo com a ocasião.

Joana  reflete sobre a "definição de homem como um animal racional, moral e social, mamífero, bípede, bímano, capaz de linguagem articulada, que ocupa o primeiro lugar na escala zoológica."

O racional se opõe, entre outras coisas, ao mito, contos e lendas que estudamos nos dois primeiros livros.

Para falar tanto de homens como de mulheres, Joana estuda o modelo deixado por Jesus que traz uma síntese que evolve dos mitos, arquétipos, animais aos humanos e que tenderá, num limite ao infinito, à criatura angelical, ou à criatura integral, na medida que todos nós buscamos a felicidade.

De fato, Joana nos leva do subterrâneo, inconsciente, para além do mundo mágico dos contos e através da conscientização de nossa trajetória que começou alhures, possamos avançar na busca da realização que compete, somente, a cada uma de nós.





Justificativa


Escolhi os livros iniciais de forma arbitrária (ma non troppo) por uma questão de necessidade pessoal e visando compartilhar experiências em grupo. Outros livros poderão ser sugeridos, com a conclusão desses.

Existem grandes contrastes entre os livros:

- No livro Mulheres que correm com os lobos: MCL o modelo principal de estudo é a "mulher selvagem" que se junta aos lobos.  Poderiam ser as deusas grego-romanas, hindus, indígenas, etc. Gostei  dos contos, lendas de antanho e mitos propostos por Clarissa, pois esses nos levam ao encontro de algo que buscamos aquém e além da natureza e da cultura que nos afasta da mãe natureza.

- No livro Além do Herói: AH o autor também usa os contos, lendas e heróis (descendentes de deuses e humanas) para atingir o crescimento espiritual masculino.

- No livro O homem integral: HI a autora espiritual Joana de Ângelis escolhe Jesus que traz uma síntese que evolve dos mitos aos humanos e que tenderá, num limite ao infinito à criatura angelical, ou à criatura integral.

- Os livros possuem fundamentação e bases diferentes, para propiciar maior riqueza de aprendizado e vivências.